Solta minha mão,
porque sem ela não consigo virar a página do livro.
(Ele é novo, você é velha.)
Te quis pra desquerer -
cio de cadela,
paixão de uma noite de cela.
Não amei
se enjoei.
Quem amou,
passou, passado; passei
pra trás
quando vieram atrás.
Me desculpo.
Não me culpo.
Tirei um passarinho do ninho
com vinho e leite ninho.
Encantei,
piei
e me deram, me deram
tudo que eram
e não eram.
Criei.
Dividi eras,
ensinei a voar.
Mas me solta, que tua poesia já conheço
e não me engano se peço
ao livro uns poemas:
os teus são dilemas
retidos,
repetidos. Enjoei
desses versos
metidos a universo:
quero o inverso,
margem, estrutura
mais versos diversos.
Quero altura e largura,
amizade e ternura,
a procura que dura,
a esperança que alcança:
eu quero uma poesia
que desova e renova.
Eu quero mais que ais
e suspiros
vampiros, você sabe,
não sabe?
Falo árabe.
Você não sabe nada de mim.
Bruno Castro










